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| Educação Financeira

Superendividamento: o que é e como sair dessa situação

26.12.2025 | 6 minutos de leitura

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Entenda o que é superendividamento e saiba como a Lei 14.181/2021 pode ajudar você a renegociar dívidas e recuperar a saúde financeira.

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Quase oito em cada dez brasileiros carregam alguma dívida em seu nome. Segundo a Pesquisa de Endividamento da CNC, mais de 78,4% das famílias brasileiras estão endividadas.

Mas existe uma diferença importante entre estar endividado e estar superendividado. Vamos te mostrar o caminho para entender essa diferença e, principalmente, para virar esse jogo.

Endividado x Superendividado: você sabe a diferença?

Pessoa endividada: tem dívidas, mas consegue honrar os compromissos dentro do prazo. O orçamento está apertado, mas ainda há equilíbrio.

Pessoa superendividada: não consegue pagar as dívidas mesmo comprometendo toda a renda. As contas se acumulam e os juros crescem.

Geralmente, o superendividamento é caracterizado quando a renda está comprometida com dívidas, sem contar despesas essenciais como moradia e alimentação. É a impossibilidade real de quitar o que se deve.

O que é a lei do superendividamento?

Esse termo ganhou força no Brasil com a atualização do Código de Defesa do Consumidor pela Lei nº 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento.

O superendividamento acontece quando uma pessoa física, agindo de boa-fé, não consegue pagar todas as suas dívidas de consumo, vencidas ou que ainda vão vencer, sem comprometer o chamado “mínimo existencial”. Em outras palavras, é quando quitar as dívidas colocaria em risco despesas básicas como alimentação, moradia, saúde e educação.

Essa definição está no Artigo 54-A do CDC e tem um objetivo claro: proteger o consumidor e garantir que ele possa renegociar suas dívidas sem perder qualidade de vida.

A Lei nº 14.181/2021 não fixa um percentual exato, mas na prática e em decisões judiciais, comprometimento superior a 30% da renda líquida é usado como parâmetro para presumir que o mínimo existencial está comprometido. Embora a lei não defina um percentual, decisões judiciais costumam usar 30% como referência nos planos de renegociação previstos na Lei do Superendividamento, que limita as parcelas a até 30% da renda mensal.

Como usar a Lei do Superendividamento?

1. Procure o Procon

O primeiro passo é buscar o Procon ou outro órgão de defesa do consumidor. Eles analisam sua situação e agendam uma audiência de conciliação.

2. Audiência de conciliação obrigatória

Consumidor, credores e conciliadores tentam chegar a um acordo que preserve o mínimo existencial e permita pagar as dívidas de forma realista.

3. Acordo e homologação

Se houver consenso, o acordo é homologado pelo juiz e todos devem cumprir. Caso não haja acordo, o juiz pode impor um plano de pagamento de até 5 anos.

É obrigatório passar por audiência?

Sim, a realização da audiência de conciliação é obrigatória segundo a Lei nº 14.181/2021, sendo um dos pilares do tratamento do superendividamento. Nessa sessão, o cliente (consumidor superendividado), os credores e um conciliador se reúnem para tentar um acordo viável, preservando o mínimo existencial e propondo um plano de pagamento realista de até cinco anos, conforme capacidade financeira.

A ausência de qualquer credor, sem justificativa, pode resultar em sanções legais, como a suspensão da exigibilidade da dívida.

A cobrança judicial/executiva após a homologação do plano de pagamento feito em audiência deve ser suspensa.

Empresas podem usar a Lei do Superendividamento?

Não. A Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021) foi criada para proteger pessoas físicas. Se você é MEI ou empresário, essa lei não se aplica ao seu caso.

Sinais de alerta para identificar o superendividamento

  • Uso crédito para pagar outras dívidas: como, por exemplo, utilizar empréstimos para quitar cartão ou cheque especial para pagar carnês.
  • Está no limite de tudo: Cartão vencido, cheque especial no vermelho, contas atrasadas.
  • Perda de controle:  Não sabe exatamente quanto deve nem para quem.
  • Recebe ligações de cobrança com frequência: Credores ligam todos os dias, e você já nem atende mais.
  • Só paga o mínimo do cartão: Aquela armadilha que parece aliviar, mas aumenta a dívida mês a mês.
  • Sensação de ansiedade constante: As preocupações financeiras afetam seu sono, saúde e relacionamentos.

O que leva as pessoas ao superendividamento?

As causas são várias, e a maioria delas pode acontecer com qualquer um:

  • Desemprego ou redução de renda: Perder o emprego ou ter o salário reduzido muda toda a equação.
  • Imprevistos: Doenças, acidentes, emergências familiares desestabilizam até quem se planeja bem.
  • Falta de planejamento financeiro: Gastar sem controle ou sem reserva de emergência deixa todo mundo vulnerável.
  • Uso excessivo do cartão de crédito: Os juros rotativos estão entre os mais altos do mercado. Pequenas dívidas viram bolas de neve.
  • Facilidade do crédito: Com tantas ofertas de empréstimos e cartões, fica fácil se enrolar.

Por que o superendividamento vai além das finanças?

Quando as dívidas saem do controle, os impactos vão muito além do bolso. O superendividamento afeta sua saúde mental, seus relacionamentos, sua autoestima e até suas oportunidades profissionais.

Quais são as despesas que mais endividam os brasileiros?

Segundo dados do mercado, as principais vilãs são:

  • Cartão de crédito (juros rotativos)
  • Carnês de lojas
  • Financiamento de veículos
  • Empréstimo pessoal
  • Cheque especial

O cartão de crédito lidera disparado, respondendo pela maior parte das dívidas das famílias brasileiras.

Qual a faixa etária mais endividada?

Pessoas entre 25 e 49 anos concentram a maior parte do endividamento no país. Essa faixa coincide com momentos de grandes compromissos: casa própria, filhos, veículos, construção de carreira.

Mas o superendividamento tem crescido entre jovens de 18 a 24 anos (uso precoce do cartão de crédito) e entre idosos (empréstimos consignados que comprometem a aposentadoria).

Quais dívidas podem ser renegociadas?

Praticamente todas as dívidas de pessoa física entram na renegociação:

  • Cartão de crédito
  • Empréstimos pessoais
  • Financiamentos
  • Contas de água, luz e gás
  • Carnês de lojas
  • Cheque especial

A única exceção são as dívidas alimentícias (pensão).

Quais são os prazos de pagamento do superendividado?

Os prazos são negociados na audiência, mas a lei permite parcelamentos de até cinco anos, dependendo da sua capacidade de pagamento. O importante é que o acordo respeite a realidade e garanta as necessidades básicas.

Educação financeira: o caminho para combater o superendividamento

Mais do que resolver as dívidas, é preciso aprender a evitar que o problema se repita. A educação financeira é a ferramenta mais poderosa para isso.

Conhecer conceitos como juros compostos, orçamento doméstico, reserva de emergência e uso consciente do crédito transforma sua relação com o dinheiro.

 

A Ativos está aqui para te apoiar nessa jornada. Nossa plataforma digital oferece soluções práticas para renegociação de dívidas. Você pode simular acordos, consultar suas pendências e reativar sua vida financeira no seu ritmo. De casa, pelo app ou site.

Acesse o site ativosbb.com.br e reative sua vida financeira.

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