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| Educação Financeira

Posso ser preso por dívida?

15.10.2025 | 6 minutos de leitura

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A relação entre dívida e prisão é um tema que gera muitas dúvidas e receios entre os brasileiros. Em um país onde o endividamento atinge milhões de pessoas, é comum que surjam preocupações sobre as consequências legais da inadimplência. Afinal, não pagar uma dívida pode levar à prisão?

A resposta, em regra, é não. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, inciso LXVII, estabelece que “não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel”.

Pegar dinheiro emprestado e não pagar é crime?

Ao deixar de pagar uma dívida não configura crime, desde que não haja fraude ou má-fé na contratação. Isso significa que o inadimplemento é tratado como uma questão civil, e não penal. Portanto, o credor não pode acionar a polícia, mas pode recorrer à Justiça para cobrar o valor devido.

Mas ao deixar de pagar uma dívida, o consumidor pode enfrentar diversas consequências:

  • Cobrança de juros e multas: o valor da dívida aumenta rapidamente.
  • Queda no Score de crédito: dificulta futuras solicitações de financiamento.
  • Insistência nas cobranças: ligações, e-mails e mensagens frequentes.
  • Negativação do nome: após notificação, o CPF pode ser incluído em órgãos como Serasa e SPC.

Ações judiciais: o credor pode solicitar penhora de bens e bloqueio de contas bancárias

Quando uma dívida pode resultar em prisão?

A ideia de ser preso por não pagar uma dívida ainda causa insegurança em muitas pessoas. No entanto, é importante esclarecer que, a regra geral é que as dívidas não levam à prisão. O inadimplemento é tratado como uma questão civil, e não penal, ou seja, envolve cobrança judicial, mas não privação de liberdade.

A única exceção válida atualmente é o não pagamento de pensão alimentícia. Quando o devedor deixa de cumprir essa obrigação, o juiz pode determinar a prisão civil coercitiva, com o objetivo de forçar o pagamento. Essa medida é prevista no Código de Processo Civil (art. 528) e tem as seguintes características:

  • Prazo máximo de prisão: até 3 meses
  • Regime fechado, mas separado dos presos comuns
  • Extinção da prisão: ocorre com o pagamento ou acordo judicial

O que acontece se não pagar empréstimo?

Quando um cliente deixa de pagar uma dívida bancária, o banco pode adotar uma série de medidas legais e administrativas para recuperar o valor devido. Essas ações variam conforme o tipo de contrato, o valor da dívida e o tempo de inadimplência.

Medidas extrajudiciais

Antes de recorrer à Justiça, os bancos costumam iniciar a cobrança por meios extrajudiciais:

  • Notificação extrajudicial: o cliente é comunicado formalmente sobre o atraso e recebe propostas de renegociação.
  • Negativação do nome: o CPF ou CNPJ do devedor pode ser incluído em cadastros de inadimplentes, como Serasa e SPC.
  • Protesto em cartório: o título da dívida pode ser protestado, dificultando o acesso a crédito e financiamentos.

Medidas judiciais

Se não houver acordo, o banco pode iniciar ações judiciais para recuperar o valor:

  • Ação de execução: usada quando há contrato com força executiva, como financiamentos com garantia.
  • Penhora de bens: imóveis, veículos, contas bancárias e até parte do faturamento podem ser bloqueados judicialmente.
  • Busca e apreensão: em contratos com alienação fiduciária (como financiamento de veículos), o banco pode solicitar a retomada do bem financiado.

O banco pode tomar meus bens se eu não pagar o empréstimo?

O não pagamento de um empréstimo pode gerar uma série de consequências legais e financeiras para o devedor. A primeira delas é a negativação do CPF ou CNPJ, que geralmente ocorre após 30 dias de atraso, conforme previsto nos contratos e nas normas dos órgãos de proteção ao crédito, como Serasa e SPC.

Além disso, o credor pode recorrer à Justiça para cobrar a dívida por meio de diferentes tipos de ações judiciais:

  • Ação de execução: utilizada quando há um título executivo extrajudicial, como um contrato assinado com testemunhas. É o caminho mais direto e rápido para cobrar judicialmente.
  • Ação monitória: aplicada quando existe uma prova escrita da dívida, mas sem força executiva. O juiz pode transformar essa prova em título executivo, permitindo a cobrança.
  • Ação de cobrança: usada quando não há documentos suficientes para comprovar a dívida de forma imediata. Exige produção de provas e costuma ser mais demorada.

Essas ações podem resultar em medidas como penhora de bens, bloqueio de contas bancárias e protesto em cartório, afetando diretamente a vida financeira do devedor.

O banco pode descontar a dívida de conta salário?

A conta salário é destinada exclusivamente ao depósito da remuneração do trabalhador e possui proteção legal contra descontos automáticos, justamente por ter natureza alimentar.

Essa proteção está prevista no artigo 833 do Código de Processo Civil, que considera o salário impenhorável, salvo em situações excepcionais.

Quando o banco pode descontar valores da conta salário?

Em regra, o banco não pode descontar valores diretamente da conta salário para quitar dívidas, a menos que haja autorização expressa do cliente. Mesmo com essa autorização, o desconto deve respeitar limites legais e princípios de dignidade:

  • Autorização prévia e formal: o cliente precisa ter assinado contrato permitindo o desconto.
  • Limite de desconto: Para empréstimos consignados o valor descontado não pode ultrapassar 35% do salário líquido, conforme jurisprudência consolidada.
  • Portabilidade de salário: se o trabalhador transferir o salário para outro banco, o valor deve ser repassado integralmente, sem descontos, salvo autorização contratual anterior.

E se o banco descontar sem autorização?

Caso ocorra desconto indevido, o titular da conta pode:

  • Solicitar estorno imediato junto ao banco.
  • Registrar reclamação no Procon ou na plataforma Consumidor.gov.br.
  • Buscar orientação jurídica para contestar judicialmente a cobrança.

Exceções à regra

A penhora de salário pode ser autorizada judicialmente em casos específicos, como:

  • Dívidas de pensão alimentícia.
  • Valores que excedam 50 salários-mínimos.
  • Situações excepcionais, desde que respeitem os princípios da razoabilidade e da dignidade humana.

O que acontece quando uma dívida é cobrada judicialmente?

Quando uma dívida é levada à Justiça, o processo pode envolver diversas etapas que afetam diretamente o patrimônio do devedor.

Etapas comuns do processo judicial:

  • Notificação formal do devedor sobre a ação.
  • Penhora de bens como imóveis, veículos e contas bancárias.
  • Protesto em cartório, ampliando as restrições ao nome do devedor.
  • Suspensão de CNH ou passaporte em casos excepcionais autorizados judicialmente.

É possível negociar acordos em qualquer fase do processo, o que pode evitar medidas mais severas e facilitar a regularização da dívida.

Mitos e verdades sobre ser preso por dívida

Veja abaixo os principais mitos e verdades sobre ser preso por dívidas:

Pode ser presoMito ou Verdade?Explicação

Quem não pagar cartão de crédito pode ser preso

Mito

Dívidas bancárias são de natureza civil e não geram prisão.

Dívida de pensão alimentícia pode levar à prisão

Verdade

É a única dívida que permite prisão civil coercitiva, conforme o CPC.

O banco pode prender quem não paga financiamento

Mito

O banco pode cobrar judicialmente e reaver o bem, mas não prender.

Emitir cheque sem fundo pode ser considerado crime

Verdade

Pode configurar estelionato, dependendo da intenção e contexto.

A prisão por dívida é comum no Brasil

Mito

É rara e restrita a casos de pensão alimentícia não paga.

Conclusão

Embora a prisão por dívida seja uma exceção no Brasil, a inadimplência pode gerar impactos significativos na vida pessoal e patrimonial do devedor. Por isso, manter o controle das finanças, formalizar acordos e buscar soluções antes que a dívida se torne judicial são atitudes que fazem toda a diferença.

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